Pelotas, Brasil - August 8th, 2009 -> August 19th, 2009 -> today
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A Grande Chance da Continuidade pt. II
August 21st, 2009
Como uma intervenção discreta, optei por proteger o objeto.
Havia um carimbo de “figa” e com um esmalte de unhas azul, quase no mesmo tom das bordas, o marquei.
A “figa” é um amuleto de proteção contra o azar, e simboliza o ato sexual. O polegar representa o masculino, o indicador e o dedo médio representam o feminino. Acredita-se que este amuleto combateria e/ou protegeria contra a infertilidade.
A fertilidade é a oportunidade natural do ser humano de espalhar seus genes pelo mundo.
Para que continue a aventura do homem na terra, é preciso que ele procrie com alguém do sexo oposto.
A continuidade é o que me interessa. O objeto sendo um múltiplo deixa implícito que não é estéril, até mesmo por passar de mão em mão, como as capelinhas que passam de casa em casa, guardando santos que irão abrandar a ânsia dos fiéis por ter seus pedidos alcançados.
[A ideia continua, fértil. Mais rodada que... Santinha de interior?????? (hein!?!?!)]
Parece até algo religioso, pode ser... Não sei.
Arte como religião é possível, de certa forma é uma crença que nós artistas temos. A chance da continuidade, de imprimir uma marca no mundo.
[Cada um tem seu santo: H.O., Duchamp, Beuys... São tantos!]
Repetir, refazer, crer, persistir... Da ordem da religião, da ordem da Arte.
O primeiro abrigo do objeto foi o quarto da artista que o recebeu em sua casa, e será por uma semana.
Mas nenhum lugar poderia ser melhor que o ateliê para abrigar o "novas bases", já que assim, de repente não mais que de repente, o objeto absorveria um pedaço da artista e distribuiria à seus novos "donos", dando prosseguimento ao projeto.
Só uma semana para imprimir personalidade na base, tão pouco tempo...
Hoje a cidade de Pelotas terá uma cicatriz. Boas coisas serão lembradas.